Tiver a oportunidade de assiste no domingo passado (08/08/15) o Grupo Stagium. Realmente, excelente, louco, muito bom.

Sobre o espetáculo:

O espetáculo Figuras e Vozes, do Ballet Stagium, faz curtíssima temporada – de 07 a 09 de agosto de 2015 – no Grande Auditório do MASP em São Paulo. Nesta obra, a companhia se lança no desafio de investigar o estado de espírito dadaísta, como ele emergiu e suas implicações na nossa contemporaneidade. Essa produção da companhia tem o apoio do programa O BOTICÁRIO NA DANÇA.

A pesquisa do Stagium caminhou pelos conflitos da primeira grande guerra mundial, quando o Dadaísmo surgiu com a clara intenção de destruir todos os sistemas e códigos estabelecidos no mundo. Como ideologia, o dadaísmo agregava forte conteúdo anárquico, opondo-se a qualquer tipo de equilíbrio e racionalidade. Nesse sentido, a criação artística da época também adentrava em um novo olhar, que obrigava o espectador a mudar o ângulo de visão. Em Figuras e Vozes, o aleatório e o acaso brotam como provocação num mundo totalmente institucionalizado e movido pela rapidez das informações, colocando em questão a finalidade das nossas ações. O espetáculo propõe uma nova perspectiva do olhar, com o intuito de recriar nossos valores e rever o nosso universo simbólico, instigando assim a busca das muitas respostas para as nossas eternas perguntas.

Para Décio Otero, “o fato de criar uma companhia independente em 1971 foi um ato de heroísmo no Brasil. Hoje, nesse trabalho, tratando da filosofia do Dadaísmo, nos transportamos para o início do grupo, quando do nada criamos uma companhia atuante, consistente e referencial. E assim continuamos, mais de quarenta anos depois, transformando o nada em algo que sempre acaba nos surpreendendo”. Márika Gidali, também fundadora do Stagium, complementa: “É divertido ter liberdade total de criação e ao mesmo tempo nos darmos o direito de brincar com esta utopia. O respaldo veio, logicamente, da bagagem consistente desses anos todos, que foi um aprendizado diário”. Sobre a persistência da companhia em estrear trabalhos e continuar na estrada, o diretor conclui que o romantismo talvez seja o motivo de estarem lutando sempre: “Desde o nosso encontro em 1971, sempre fomos românticos em todos os sentidos, acreditamos que a nossa opção de vida atua de alguma forma na sociedade que estamos inseridos, daí a nossa resistência”.

Ballet Stagium – histórico

O Ballet Stagium, reconhecido nacionalmente por seu projeto de engajamento político. Fundado por Marika Gidali e Décio Otero, em outubro de 1971, na cidade de São Paulo, contou com o apoio e influência da classe teatral local. A companhia foi fundada em plena ditadura militar, uma época de censura, repressões e violência. Temas como o racismo, violência, opressões e genocídios foram retratados em seu repertório, que em parceria com Ademar Guerra, desafiou a censura dançando textos proibidos na época como Navalha na carne, de Plínio Marcos, sob o título Quebras do mundaréu, em 1975. O Ballet Stagium foi a primeira companhia a utilizar música popular brasileira em sua trilha sonora, e desde sua criação, fez inúmeras viagens por todo o Brasil, do extremo norte ao extremo sul do país, num convés da barca Juarez Távora, durante quinze dias, no Rio São Francisco ou no chão batido das terras indígenas do Alto Xingu, sempre incorporando em seus espetáculos as linguagens dos locais por onde passava, não se restringindo ao eixo Rio de Janeiro – São Paulo. Com coreografias adaptáveis a qualquer cenário, fizeram e fazem apresentações em pátios de escolas públicas das periferias dos grandes centros, favelas, igrejas, praias, hospitais, estações de metrô ou em presídios.

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